Além de tudo, viajar...

Sabe que quando eu fui pro aeroporto, senti uma coisa estranha...o dia estava diferente. Uma zonzeira, um zumbido sem som, as cores da avenida Recife estavam sem a nitidez freqüente. Típico quando eu tenho uma Tour pela frente. Eu fico olhando da varanda do apartamento as árvores e os prédios e imagino...será que eles estarão diferentes quando eu voltar? Meu jeito de me despedir do Recife é estranho. Eu fico inquieto, e pisco os olhos mais do que o normal. Dia 14 saimos e dia 15 chegamos em Lisboa, dormimos no avião em um lugar mais que inconveniente, próximo ao banheiro, então, a cada descarga, um forte som de vento aspirado....fxuuuuuuuiiiiixxxxxxxxxxiiiiiiiiiiiii...e eu levantava a cabeça e olhava todos dormindo feito anjinhos! Passamos rápido pela alfândega e já estávamos em outro Vôo para Paris, Orly. Com a cabeça zonza do fuso de 5 horas a mais, entramos direto na Van e pegamos estrada para Lyon, terra natal de Allan Kardec, codificador da Doutrina espírita. Cidade linda. Cidade de ruas e prédios históricos, de amigos como a banda Mei Tei Sho e de um frio constante. Dormimos e saímos cedo para Marseille, que nos recebeu com aquele porto cheio de gaivotas planando e turistas enbevecidos com os bares bem pertinho dos atracadouros. Sem muito tempo pra pensar, fizemos um show Case de 30 minutos no Cabaret Aleatoire, transmitido pela rádio local. No outro dia uma entrevista para a revista Mondomix. Claro que sai na caçada de uma loja de computadores MAC, onde me delicio com os novos acessórios e programas. O Show em Marseille foi no Le Balthazar.Não dá pra não comparar com a antiga Soparia de Roger. Lugar badalado em Marseille. Mandamos ver na medida certa, mesmo não usando os samplers por causa do tamanho da mesa. Estrada para Amsterdan.
20/05/06 Maravilhosa cidade, é Amsterdam. Plana, com aqueles prédios de tijolinhos marron, com os Coffe Shop sempre em clima de Reggae, posters de Bob Marley e um cardápio sobre cada mesa com as mais variados tipos de maconha. O usuário escolhe por cheiro, forte ou fraca, Jamaicana, e se quiser, levar sementes para plantio particular. Essa legalização sempre nos impressiona. Direto para a passagem de som no Tropentheater. O local do show é em um complexo cultural que reúne sala de espetáculo, galeria de arte, bar e hotel. Isso facilitou muito.O show rolou com precisão, mas, houve, pra variar, problemas com equipamento do teatro. Mesa pequena, queimamos nosso MD, mas, mandamos bem, sala lotada e eu tentando falar Francês pra um público Holandês. Passeamos muito na cidade no outro dia. Fotografias, passamos pelo museu de cera com uma fila quilométrica para entrar, depois fomos aos famosos sexy Shop, onde casas abertas colocam modelos vivos em janelas de vidro, exibindo seus dotes para os que se aventuram. Eu fui em uma loja da Levi’s. Comprei adesivos em lojinhas de presentes, e terminamos o dia com uma chuva fina sobre Amsterdan e o frio cortante acelerou nossa despedida dessa louca, porém sedutora cidade.
23.05.06 Chegamos em Bruxelles, Bélgica. Aqui, ficamos em uma casa gentilmente cedida pelo Vitor, nosso amigo de outras vindas. Uma aconchegante casa em um bairro próximo a Bruxelles. Casa projetada com vários ambientes, escada de madeira, quartos sempre quentinhos em clima de frio, sala com escadinha de acesso a cozinha e um quintal ladeado de vizinhos idosos que cultivam horta, tudo muito bem desenhado, com esmero que faz gosto. MuzienPUBLICQUE-Festival/ No Teatro Moliére – Galeria Naamsepoort em Bruxelas, Bélgica. O Show foi o melhor dessa Tour. Som nos nossos monitores de ouvido impecável. Público participante e nosso roteiro fica mais forte para nós mesmos. Encontrei muitos produtores que estavam no Porto Musical desse ano, em Recife. Hoje estamos em dia Off em Bruxelas. Uma chuva fina e constante na cidade, e um frio que faz vontade de ficar curtindo a casa aconchegante. Muito som rolando nos PowerBooks, nos CD Players e no som da Van. Björk, Richard Wagner, Los Hermanos, Moby, Goran Bregovic, Mei Tei Sho, Nação Zumbi, Chico Buarque (Carioca, DVDs), Camille, o DVD de Tim Maia, Totonho e os Cabras...e por aí vai!!!
28.05.06 Estou em Paris O show de lançamento foi ontem no espaço L’Ermitage. Maravilhoso! Tudo certo! Paris está sombria, mas, o sol deu as caras hoje e transformou o domingo em um lindo dia pra passear e ver tanta gente de preto passeando nos parques e nas avenidas. Estamos na Avenue Jean Jaurés, perto do Parque de La Vilette, no Cite de la Music. Passeio legal também é ir pelas margens da Bacia do La Vilette. O ar está perfeito pra respirar. Seguimos
agora para Orleans(França) e depois pra Holanda.
Silvério Pessoa.
----------
Sensações Amplificadas
Monolítico: relativo ou semelhante a monólito ;formado de uma só pedra;que forma bloco;diz-se dos elementos que formam um todo rígido, homogêneo, impenetrável.
Monolítico-tema um portal, uma abertura; uma passagem; o que é forte, unitário.
Tema, de ser a questão ;o propósito ou a razão.
Aqui Silvério traz suas concepções do mundo através da ótica musical.Uma mente inquieta, na busca constante das inovações.Fontes, dados, lembranças de uma infância ,um pé no futuro e uma metáfora visionária do presente. É assim, o contexto universal da sua música . Expondo as inter-relações dos ritmos do interior de Pernambuco juntamente com acessórios da cultura urbana, seja do rock, delays ,bases eletrônicas. É uma música que oferece novas possibilidades de se entender a tradição.
Sensações amplificadas, impressões dos encontros com outras culturas.Livros, música , culinária, viagens.
Palco e projetos.
Virgínia Correia
----------